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Texto Alternativo para Imagens (alt text)

Mulher ouve a descrição de uma imagem de um Golden Retriever em um parque com o leitor de telas.
0 Acessibilidade, Site Acessível, IA - Inteligência Artificial, WCAG

O texto alternativo para imagens, o famoso alt text, é a boa prática de acessibilidade mais conhecida e falada nas redes, mas por incrível que pareça, ainda é uma das grandes barreiras encontradas na web. Um passo pequeno para quem cria conteúdo, mas que faz uma imensa diferença na vida de milhões de pessoas no Brasil e no mundo. Por isso, criei esse artigo contendo as principais informações sobre o tema, com dicas práticas para ajudar a eliminar essa barreira da web.


O que é texto alternativo e por que ele importa


O texto alternativo (ou alt text) é uma descrição textual inserida no código de uma imagem para comunicar seu conteúdo a pessoas que não podem vê-la ou compreendê-la totalmente. Ele é essencial para pessoas com deficiências visuais que utilizam softwares leitores de tela, além de ajudar em situações como falhas de carregamento e navegação por voz.

Quando inserimos uma descrição alternativa em texto para as imagens, ela pode ser transformada em diversos formatos, não apenas em áudio pelos leitores de tela, mas também em braille por displays braille, levando a informação às pessoas surdo-cegas. Também podem ser transformadas em Libras por uma ferramenta de tradução em língua de sinais.

Mais do que uma boa prática, ele está diretamente relacionado ao critério 1.1.1 – Conteúdo não textual das Diretrizes de Acessibilidade para Conteúdo Web (WCAG) e aos requisitos 5.2.1, 5.2.2, 5.2.3 e 5.2.4 da Norma ABNT NBR 17225, que tratam do texto alternativo para imagens de conteúdo, funcionais, decorativas e imagens complexas. As diretrizes e a norma exigem, portanto, equivalentes textuais para imagens, o que deve ser cumprido para atender à Lei Brasileira de Inclusão (LBI).

No decorrer dos anos, nas consultorias que prestamos para empresas de todos os portes, percebemos uma dificuldade constante das equipes para criar essas descrições. Todos sabem que isso deve ser feito, mas muitos não sabem como começar. 

Descreva o propósito, não apenas a imagem


Um dos pontos mais importantes (e menos intuitivos) é que o texto alternativo não deve ser uma “descrição fiel do que está na imagem”, mas sim um equivalente funcional. Ou seja, o alt deve permitir que quem não vê a imagem não perca a informação ou a ação que ela representa. Isso muda completamente a lógica.

Por isso, uma das orientações mais importantes é:

O texto alternativo deve transmitir o propósito da imagem no contexto da página.

Um bom exercício sugerido pelo W3C é imaginar que você está lendo a página por telefone para alguém. O que você diria ao chegar naquela imagem?

Imagine que você encontra um botão com ícone de carrinho. Se uma pessoa que não pode ver a tela ler “Ícone de carrinho de compras”, será que é intuitivo para ela? Melhor seria ler “Adicionar ao carrinho”. A imagem é um carrinho, mas seu significado é uma ação, a ação de adicionar um produto ao carrinho.

O fluxograma do W3C não é só didático, ele resolve conflitos reais

O W3C possui um guia de decisão que serve não apenas para iniciantes. Ele resolve um problema recorrente: quando NÃO escrever o alt de uma imagem.
Muitas equipes erram por excesso, não por falta.

Se você remove a imagem e nada muda na compreensão, ela deve ser ignorada por recursos de tecnologia assistiva. Mas há um detalhe pouco comentado: Imagens decorativas podem se tornar informativas dependendo do contexto.

Por exemplo:

Uma linha separando conteúdos é decorativa.
A mesma linha indicando mudança de seção pode ser informativa.

Por isso, é muito importante avaliar o contexto e refletir: “Se eu não tivesse acesso a esta imagem, eu perderia algo na compreensão do conteúdo?”.

Uma foto ou ilustração colorida pode parecer apenas decorativa, mas ela pode transmitir uma sensação na pessoa que muda sua disposição ou vontade de tomar uma decisão. 

Tipos de imagens e como descrevê-las

1. Imagens informativas
São aquelas que transmitem conteúdo relevante.

Exemplo:

Golden retriever correndo atrás de uma bola em um parque ensolarado

É errado dizer: "Cachorro"
É melhor dizer:  "Golden retriever correndo atrás de uma bola em um parque ensolarado"
Foque na informação essencial, não em todos os detalhes.

2. Imagens decorativas
São imagens que não agregam informação.

Exemplo:
Fundos decorativos, divisores visuais, bullets decorados em itens de lista, etc.

Neste caso, use aria-hidden=”true” + alt="" (nulo)
Isso faz com que leitores de tela ignorem a imagem.
Na dúvida se uma imagem é ou não informativa, é melhor descrevê-la.

3. Imagens funcionais (botões/links)
São imagens que representam ações. Por exemplo, um ícone de lupa em um campo de busca.

Campo de busca

É errado dizer: "Lupa"
É melhor dizer:"Buscar"

Descreva a função do ícone, não sua representação visual. 

4. Imagens com texto
De preferência, não utilize imagens com texto, mas se houver uma imagem que contém texto relevante, por exemplo, um banner com o texto "Promoção: 50% OFF". Então, inclua a descrição de texto no alt-txt: "Promoção: 50% de desconto em todos os cursos".

Promoção: 50% de desconto em todos os cursos

Outro ponto pouco comentado é que nem sempre copiar o texto da imagem no alt é suficiente. No nosso banner de exemplo, existem informações visuais: há um destaque no “50%” e uma sensação de urgência (pelas cores e layout).

O ideal neste caso seria garantir que essa informação também seja transmitida às pessoas, seja no HTML de forma visível ou no próprio alt text.

5. Imagens complexas (gráficos, infográficos, etc.)
Para imagens complexas, em que um texto curto não é suficiente para explicar as informações que elas contém, não tente explicar tudo no alt text.
A melhor estratégia em casos de imagens complexas é criar um Alt curto + uma descrição detalhada no conteúdo próximo ou ao redor da imagem, já que o alt text não substitui a análise de dados.

Exemplo:

Gráfico de crescimento de vendas de 2020 a 2024

  • Alt: "Gráfico de crescimento de vendas de 2020 a 2024"
  • Texto complementar posicionado próximo à imagem: explicação de todos os dados contidos no gráfico.

O Alt deve ser sempre conciso, de preferência, não ultrapassando 100 ou 125 caracteres. Os detalhes devem ficar fora dele. 

Boas práticas para escrever o texto alternativo (alt text)

  • Seja conciso
    Ideal: até aproximadamente 100 ou 125 caracteres ou 1 a 2 frases.

    O famoso “limite de 125 caracteres” não é uma regra das WCAG. Ele vem de limitações históricas de leitores de tela. O que realmente importa é a clareza, objetividade e adequação ao contexto. Um alt pode ser maior se necessário, mas isso geralmente indica que a informação deveria estar fora dele. Textos alternativos muito longos tornam a leitura exaustiva para as pessoas.

  • Priorize o mais importante
    Comece pelo que realmente importa.

  • Não descreva tudo
    Foque no essencial, não em cada detalhe visual

  • Considere o contexto
    A mesma imagem pode ter descrições diferentes dependendo do contexto ou da página. Esse é um dos conceitos mais importantes e negligenciados.
    Por exemplo, uma foto de uma pessoa usando um notebook.

     foto de uma pessoa usando um notebook

    Em um artigo sobre trabalho remoto, o alt da imagem acima pode ser: “Pessoa trabalhando remotamente em um notebook”.
    Já em um artigo sobre postura, um texto melhor para o alt seria: “Pessoa curvada usando notebook sem apoio ergonômico”.

    A imagem é a mesma, mas o alt muda completamente.

  • Use pontuação
    Ajuda na leitura por leitores de tela.

  • Não repita conteúdo próximo
    Evite duplicar legenda ou texto adjacente. Um erro comum é repetir o conteúdo visível no alt porque a redundância torna a experiência do leitor de tela poluída e cansativa.

    Imagine uma imagem com o código HTML:

    <figure>
       <img src="grafico.png" alt="Gráfico de vendas de 2024">    
           <figcaption>Gráfico de vendas de 2024</figcaption>
    </figure>

    O usuário ouvirá a mesma coisa duas vezes com o leitor de telas.
    Se a legenda já for suficiente para descrever a imagem, é melhor deixar o alt nulo:

    <img src="grafico.png" alt="">

  • Não crie conteúdo alt apenas para SEO 
    Isso gera problemas e prejudica usuários de leitores de tela. Alt não é campo de palavras-chave e sim um recurso para tornar o conteúdo acessível.

  • Não omita o atributo alt em imagens decorativas
    Este é um detalhe técnico que poucas pessoas conhecem. Ao incluir o aria-hidden=”true” + alt="" em uma imagem decorativa, ela é ignorada por leitores de tela. Se a imagem for inserida apenas sem o alt, o leitor de tela tenta interpretar o elemento, mas sem informações suficientes, o que prejudica a experiência da pessoa usuária.

  • Não confie apenas na IA para criar descrições de imagens
    Ferramentas de Inteligência Artificial podem ajudar a criar descrições, mas elas ainda erram muito e não conseguem compreender o contexto. Além disso, podem criar informações em excesso. Por isso, a revisão humana e o bom senso continuam sendo fundamentais.


Dica:

Antes de publicar uma imagem, pergunte:

  • Essa imagem é informativa, funcional ou decorativa?
  • O que essa imagem comunica? O alt descreve o propósito dela?
  • Está curto e claro?
  • Evita redundâncias?
  • Faz sentido fora do contexto visual? O que o usuário perderia sem ela?


Conclusão

Escrever bons textos alternativos não é apenas uma tarefa técnica, é uma prática que inclui milhões de pessoas na experiência e uso da web. Pequenos ajustes no alt text podem transformar completamente a experiência de pessoas que utilizam tecnologias assistivas.

Ajude a tornar a web um ambiente cada vez melhor e mais inclusivo. Não descreva imagens de forma automática ou padronizada. Lembre-se de que não existe uma descrição “perfeita”, mas sim a mais adequada a cada contexto. Afinal, criar o alt text é também uma arte, a de comunicar imagens em palavras.

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