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Acessibilidade em Plataformas de Videoconferência

Em fundo azul, pilha de cartilhas com título da Pesquisa sobre Plataforma de Videoconferência
1 Acessibilidade, Comunicação, Lançamento!, Videoconferência, Plataforma Web
Com a pandemia COVID-19, nós tivemos que nos adaptar muito rapidamente a uma nova realidade onde, em conseqüência do distanciamento social, nossas atividades passaram a ser quase que exclusivamente online. Reuniões de trabalho, aulas, palestras, eventos sociais e culturais, dentre tantos outros passaram a acontecer em lives e dentro de Plataformas de Videoconferência.

Muitos de nós, mesmo tendo familiaridade com a tecnologia, tivemos dificuldades em aprender e nos adaptar a essas ferramentas. Há muitas pessoas, no entanto, que enfrentam dificuldades mais desafiadoras que a maioria, quando não a impossibilidade de utilizar esses recursos e continuar suas rotinas diárias como, por exemplo, as pessoas com alguma deficiência ou pessoas idosas. Por que?

Será que as plataformas de reuniões virtuais são amigáveis para todas as pessoas?


Esse questionamento levou o Centro de Estudos sobre Tecnologias Web (Ceweb.br) do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br) a avaliar algumas das ferramentas web mais usadas em videoconferências, identificando suas principais barreiras de acesso.

Eu tive a honra de participar bem de perto dessa avaliação como membro do comitê de planejamento da Pesquisa sobre Acessibilidade das Ferramentas de Videoconferência em Plataforma Web, coordenada pelo Reinaldo Ferraz, especialista em projetos web do Ceweb.br / NIC.br.

“Queríamos um estudo capaz de apontar as dificuldades que as pessoas com deficiência têm enfrentado quando participam de reuniões virtuais”, diz Reinaldo.
O estudo avaliou 6 das ferramentas mais utilizadas na web:

  1. Google Meet
  2. Zoom 
  3. Microsoft Teams
  4. Jitsi
  5. WebEx
  6. BigBlueButton 

A pesquisa foi realizada com 32 avaliadores diferentes que fizeram 64 avaliações no total. Os participantes convidados foram divididos em grupos por perfis de usuário:

a) Operação somente por teclado
b) Operação com uso de tecnologia assistiva (leitor de tela), sem monitor
c) Operação sem áudio

Desta forma, a pesquisa contemplou diversos tipos de usuários como usuários sem deficiência, com deficiência visual total (cegueira) , deficiência visual parcial (baixa visão) , deficiência auditiva total (surdez) e deficiência auditiva parcial (baixa audição).

Desafios encontrados

O estudo mostrou que, apesar de a maioria das pessoas conseguir participar das reuniões nessas plataformas, existem muitos desafios e elas passam por muitas barreiras para utilizarem as ferramentas de forma efetiva.

Por exemplo, a maioria dos participantes consegue realizar funções básicas como ativar ou desativar uma câmera (86%) ou um microfone (91%), porém essa proporção cai quando consideramos apenas usuários cegos (71% nos dois casos).

Além disso, apesar de conseguirem ativar essas funções, em muitos casos, principalmente as pessoas com deficiência, não conseguem perceber se a câmera e o microfone estão ligados ou desligados. 

Outras funções também apresentaram grande dificuldade, como perceber se a mão estava levantada ou não para poder falar. 

Os participantes também sentiram um desgaste para encontrar os recursos, como regular o volume do microfone, por exemplo. Para usuários iniciantes, essas barreiras se tornam mais graves. 


Falta de Recursos

Além disso, uma parcela das pessoas pode não conseguir participar das reuniões por falta de recursos.

Por exemplo, pessoas surdas sentem muita dificuldade quando legendas não podem ser inclusas ou quando existe um intérprete de Libras, mas no momento da fala do apresentador, a janela do intérprete fica oculta porque somente a janela com som fica em evidência.

Mesmo quando temos os recursos disponíveis, devemos estar atentos à questões como o tamanho da legenda ou as cores de contraste, que podem ser essenciais para a compreensão de pessoas com baixa visão ou pessoas surdas que compreendem o português.

Tipos de Barreiras

Em geral, a pesquisa mostrou barreiras que podem ser classificadas em dois grupos:

1) Questões relacionadas à Acessibilidade das plataformas:
Há muitas questões simples como, por exemplo, formatar um link ou botões com o código correto que podem fazer toda a diferença no uso das ferramentas. Uma pessoa cega precisa que seu software leitor de telas interprete um elemento interativo como link ou botão para poder clicá-lo, como um link disponibilizado em um chat de conversa. Caso contrário, ele deverá selecionar o texto e colar no navegador para conseguir acessar o destino do link.

Durante a pesquisa, uma grande quantidade de pessoas que não conseguiu interagir com os chats de conversa e utilizar seus recursos como, por exemplo, incluir um emoji.

2) Questões relacionadas à Acessibilidade da reunião em si:
O apresentador deve estar atento à acessibilidade do conteúdo. Caso contrário, pessoas com deficiência visual e auditiva podem ter dificuldades na participação e compreensão do que está sendo apresentado.

Por exemplo, durante a avaliação, ao mostrar um gráfico ou um vídeo na tela sem serem descritos pelo apresentador, apenas 38% dos participantes conseguiram perceber o que estava na tela, porcentagem que diminui conforme o tipo de deficiência.

As pessoas com limitações visuais são as que mais encontraram barreiras de compreensão. Conseguiram compreender somente 4% dos participantes que navegaram por leitor de tela, 60% que navegaram sem áudio e 57% que navegaram por teclado. 

Conclusão

Esses resultados nos mostram que, além das plataformas terem a responsabilidade de melhorar a qualidade de navegação e acessibilidade de suas plataformas, nós devemos criar uma cultura de acessibilidade para que os apresentadores das reuniões tornem as reuniões mais acessíveis.

A falta de descrição de imagens, áudio, audiodescrição e legendas é uma barreira para pessoas com deficiência visual e auditiva.

A boa notícia é que essas barreiras podem ser superadas se houver interesse e conscientização tanto das empresas em melhorar a codificação de suas plataformas, quanto das pessoas que as utilizam em criar apresentações confortáveis e compreensíveis para que todas as pessoas possam interagir com autonomia e participar plenamente da sociedade. 

Acesse a Pesquisa


Assista o vídeo de lançamento da Pesquisa:


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